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A Cor do Invisivel - Mario Quintana (8525040851)

A Cor do Invisível

Mario Quintana

  • Editora: GLOBO
  • ISBN: 8525040851
  • Ano: 2005

A cor do invisível, de Mario Quintana, é agora reeditado pela Editora Globo, dando seqüência à coleção Mario Quintana, projeto coordenado pela professora Tania Franco Carvalhal, que prevê a publicação de 18 títulos do autor, no rol das comemorações do centenário de seu nascimento, que ocorre em 2006. A cor do invisível foi um dos últimos livros que Quintana publicou ainda em vida, em 1989, pela Editora Globo. É um dos títulos mais felizes do autor, sintetizando sua concepção de poesia e ideal de visibilidade. O livro recolhe 72 poemas, geralmente breves e em versos livres. Há também diversos haikais, algumas trovas, novas versões de poemas anteriores, e mesmo um soneto incomum, todo constituído com versos de uma só sílaba. Na mesma linha de concisão, que sempre caracterizou Quintana, alguns poemas ??minimalistas?? são de um único verso, a modo de sentença ou máxima, em busca de uma pequena filosofia para o cotidiano. Curiosamente, o poeta incluiu quatro poemas com as datas em que foram escritos, todos muito antigos e que permaneciam inéditos, sendo o mais antigo um soneto de 1923, quando ele contava com apenas dezesseis anos. Os outros são um soneto de 1924, um poema de 1934 e outro soneto de 1935. São textos valiosos para avaliarmos sua obra numa duração ainda mais extensa. E talvez um dos traços fortes do livro sejam os poemas sobre a própria poesia, ou mesmo sobre o poeta. Dentre eles, alguns antológicos, como ??S.O.S.??: ???O poema é uma garrafa de náufrago jogada ao mar. / Quem a encontra / Salva-se a si mesmo...??. Poeta fortemente visual, Quintana discute isso no ??Poema para uma exposição??, que também dialoga com a música parafraseando o título da peça de Mussorgski. Citando por vezes Carlos Drummond de Andrade, que relembra Tomás Antônio Gonzaga, tenta realizar o ideal de transparência da linguagem, somando clareza com surpresa, ao mobilizar os contrastes e os paradoxos entre situações e instantes, objetos e sentimentos ? e, dentre eles, a possibilidade de dizê-los num poema é uma preocupação constante, o que o título do livro já havia antecipado. Sempre provocando o riso, em quase todos os poemas, o autor não deixa de em geral materializar a tristeza, ao transmutar a natureza revisitando luas, uma aranha ou estações do ano, revelar a dura face da cidade presente, onde recebemos ??uma hóstia em pleno inferno??, ou eternizar um momento de beleza fugaz e anônima.

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